Semipresidencialismo pode ser alternativa ao Parlamentarismo, rejeitado
em plebiscito em 1993
Novo
sistema de governo está sendo analisado por um grupo de trabalho na Câmara e
seria adotado a partir de 2030
Alex Ferreira / Câmara dos
Deputados
Sessão para análise do
impeachment de Dilma Rousseff em 2016
Em 1993,
os brasileiros foram às urnas para decidir se mudariam a forma de governo para
a monarquia em vez da república e o sistema de governo para o parlamentarismo
em vez do presidencialismo. A república ganhou por 66,26% a 10,25% e o
presidencialismo, por 55,67% a 24,91%. O restante votou branco ou nulo.
Neste ano,
a Câmara dos Deputados criou um grupo de trabalho para analisar a adoção do
semipresidencialismo no Brasil, que poderia ser um misto entre o sistema atual
e o parlamentarismo. O coordenador do grupo, deputado Samuel
Moreira (PSDB-SP), tem dito que o novo sistema só seria adotado a
partir de 2030.
O
consultor legislativo da Câmara Roberto Carlos Pontes explica que o principal
objetivo da mudança de sistema seria ter uma saída mais ágil para as crises de
apoio político dos governos. Segundo ele, a única saída hoje para um presidente
que perde a maioria no Congresso é o impeachment, que é um processo complexo e
demorado.
No sistema
semipresidencialista, o chefe do governo é o primeiro-ministro, que seria
eleito pelo próprio Congresso. Se ele perde apoio, pode ser trocado
rapidamente. “Há a ferramenta do voto de desconfiança: quando o governo perde a
sua base de sustentação política, pode ser destituído e substituído por outro
que forme a maioria", explicou. Para ele essa troca, no sistema
semipresidencialista, é feita de forma mais natural e menos traumática se
comparada ao impeachment no sistema presidencialista.
Pontes
afirma que o presidente eleito pelo povo continuaria existindo até porque é
cláusula pétrea da Constituição, mas não teria mais a função de chefe do
governo, apenas de chefe de Estado. “As funções de chefe de governo estão
relacionadas à execução da administração no dia a dia. O presidente da
República é o chefe da administração pública. É o Executivo que toca o governo,
digamos assim. Já as funções de chefe de Estado estão mais relacionadas à
estabilidade política da nação e à representação internacional do país.”
O
consultor Roberto Carlos Pontes, porém, diz que será necessário sentir a
opinião da sociedade sobre o tema, como pretende o Grupo de Trabalho, porque a
tradição brasileira é presidencialista. "A sociedade reconhece neste
presidente da República um papel importante para conduzir os destinos do país.”
Segundo o
consultor, um problema para a adoção de sistemas em que o Congresso tem um
papel mais forte é a fragmentação partidária, como ocorre no Brasil. “A Câmara
dos Deputados do Brasil é considerada uma das mais fragmentadas do mundo. De
fato, o maior partido brasileiro detém em sua bancada na Câmara pouco mais de
10% de suas cadeiras. Este é um valor muito baixo. E isso para a formação de
uma base de sustentação política é muito mais complexo.”
Na Itália,
por exemplo, onde o sistema é parlamentarista, os governos têm durado pouco
mais de um ano, o que também traz insegurança. A Itália tem nove partidos. O
Brasil tem 22 partidos com representação na Câmara. Mas Pontes acredita que o
número deve diminuir com a adoção progressiva da cláusula de desempenho, que
exige um mínimo de votos para ter direito a recursos do fundo partidário. Neste
ano, para cumpri-la, os partidos precisam de 2% do votos nacionais ou 11
deputados federais, nos dois casos em pelo menos um terço dos estados.
Reportagem
- Sílvia Mugnatto
Edição - Geórgia Moraes
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